sábado, 13 de março de 2010
DOG YEARS
Esclareço o conceito com o seguinte exemplo: meus cães nasceram em 2005, portanto completam cinco anos de idade (voltas ao redor sol), mas têm 'maturidade' equivalente a trinta e cinco 'anos humanos'.
"Dog years" refere-se a cada ano de vida canina representar o mesmo que sete anos de idade humana. Em seu primeiro ano de vida, o cão é uma criança. Aos dois, já está na adolecência (14 anos humanos). Ao três anos de vida, chega à maioridade (21 anos) e entra na etapa 'adulta', e assim por diante.
Vemos agora uma mudança de parâmetro, pois geladeiras antigas duram/duravam 30 a 40 anos e hoje 'duram' cinco anos. De acordo com uma notória conspiração, grandes empresas vendem produtos descartáveis para que o consumidor compre, não por novas tecnologias que surgem, mas principalmente porque atualmente uma geladeira não é feita pra durar mais que uma década.
Em outras palavras, com a corrida de 'tornar toda inovação obsoleta e superada antes mesmo de chegar às lojas', "cães até que têm uma expectativa de vida bem longa". Com tudo descartável, a indústria de massa dá risada da cara de cada um de nós consumidores. Também dou risada, mas por outras razões.
http://www.rirparanaochorar.com.br/
sexta-feira, 27 de março de 2009
Mais inteligência brasileira.
Diogo Mainardi é amargo, mas em isolados esforços consegue priorizar seu talento e humor refinado. Em recente edição da revista Veja, (seu maior canal de comunicação 'pop') o afiado e irredutível jornalista aplicou seus ofícios críticos às invenções brasileiras que são 'invenções inventadas' na cabeça dos historiadores nacionais.
O texto de Mainardi (encontra-se abaixo, e) acerta quanto ao exagerado mérito de Santos Dumont. Nosso venerado aviador foi um virtuoso exemplar, mas sua obra é relatada em soberania enganosa. Brasileiros vibram com certa superioridade patriota que sobrevive à tradição corrupta, mas equivocam-se quanto ao real valor de sua nação.
Populações submetem-se à trapaça secular do Brasil, mas a história oficiail omite fatores que ironicamente fortalecem talentos coletivos. Exemplo: Médicos brasileiros são craques graças à falta de estrutura, que força o improviso técnico durante situações de emergência.
Os irmãos Wright, dos Estados Unidos, foram os primeiros seres humanos alçados a vôo. Fabricaram uma aeronave na garagem que mantinham em casa, e conquistaram o título de inventores do avião. Santos Dumont não perde seu valor, pois realmente liderou nosso planeta à conquista do ar. (Clément Ader, um engenheiro francês também é citado como possível pioneiro da aviação, supostamente até treze anos antes dos próprios Wright.)
Interessante mesmo é a sacada de Mainardi. Ainda que nosso país represente lideranças em tecnologia de internet bancária, engenharia aeronáutica entre outras incríveis inovações, há algo de fraco e triste que é ao menos imbatível.
Nos Estados Unidos, há o famoso Social Security number, único documento necessário para registro geral. No Brasil, existem: R.G., Carteira Profissional, C.P.F., Título de Eleitor, e outros tantos documentos obscuros. A estúpida burocracia escolhe o caminho inverso, pois não quer imitar (seguir o exemplo) os poderosos da América do Norte.
Ao invés de unificar esse calhamaço de documentos, nossos gênios de plantão inventam algo chamado Poupa-Tempo. Colocam todas as repartições num único prédio que torna-se uma espécie de decathlon de filas que ‘resolvem’ o problema burocrático em tempo ideal. Em outras palavras, eles tampam o vazamento com chiclete.
Criatividade é um talento especial no Brasil, nos sentidos positivos e negativos. Do seqüestro relâmpago ao drible da foca, é difícil decidir se saímos no lucro ou no prejuízo. Deve depender da experiência individual, que mede o equilibrio entre as vantagens e desvantagens de ser e viver brasileiro.
INTELIGÊNCIA BRASILEIRA (DIOGO MAINARDI, REVISTA VEJA)
"A verdadeira proeza de Santos Dumont foi conseguir inventar o avião três anos depois deo avião ter sido inventado pelos irmãos Wright"
– Chester.
– Copo de polipropileno.
– Chinelo de dedo.
Uma empresa internacional de assessoria, Monitor Group, publicou uma lista com as 101 maiores descobertas brasileiras. É um retrato da engenhosidade nacional. Quem precisa de Arquimedes, se nós criamos a lombada eletrônica? Quem precisa de Leonardo da Vinci, se nós criamos a caipirosca engarrafada? Quem precisa de Thomas Edison, se nós criamos o fast-food de bobó de camarão?
Chu Ming Silveira é autora de uma das 101 maiores descobertas brasileiras: o orelhão. A ideia é particularmente inovadora porque, em vez de diminuir o barulho da rua, como todas as outras cabines de telefone espalhadas pelo mundo, o orelhão, funcionando como uma grande orelha, tem a singularidade de captar os ruídos externos e amplificá-los.
Antes que Chu Ming Silveira desenvolvesse o projeto do orelhão, o Brasil teve outros inventores. O maior deles: Alberto Santos Dumont. Ele é reconhecido por todos os brasileiros como o inventor do avião. Mas sua verdadeira proeza foi conseguir inventar o avião três anos depois de o avião ter sido inventado pelos irmãos Wright. Inventar algo que nunca existiu, como os irmãos Wright, é incomparavelmente mais simples e rudimentar do que inventar algo que já existe, como Santos Dumont. Ele está para a aeronáutica assim como Al Gore está para a internet. Santos Dumont é o Al Gore dos céus.
No ano passado, Dilma Rousseff declarou que a descoberta de petróleo na camada pré-sal "foi produzida pela inteligência brasileira e pela tecnologia brasileira". De fato, o petróleo descoberto no pré-sal consta da lista do Monitor Group, ao lado de outros triunfos da inteligência brasileira e da tecnologia brasileira, como a macarronada pré-cozida da cadeia de restaurantes Spoleto. Para perfurar o terreno até o pré-sal, a Petrobras arrendou duas sondas. A primeira, Ocean Clipper, foi fei-ta em Kobe, pela Mitsubishi, e pertence à Diamond Offshore. A segunda, Paul Wolff, foi feita em Mississippi, pela Ingalls, e pertence à Noble Corporation.
Quando se analisam os contratos assinados pela Petrobras para explorar o petróleo na camada pré-sal, despontam nomes de companhias genuinamente brasileiras como Schlumberger, Aker Solutions, Halliburton, Subsea 7, FMC Technologies, Technip e Mitsui Ocean Development. Em janeiro, um engenheiro estrangeiro disse à revista Offshore que o Brasil é inexperiente no assunto e que "tem um monte de problemas pela frente". Mas quem é capaz de fazer uma macarronada pré-cozida seguramente também é capaz de fazer um buraco no solo para retirar o petróleo do pré-sal.
A inteligência brasileira e a tecnologia brasileira produziram, na Bahia, o orelhão em forma de berimbau. Como é que a gente pode falhar?
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
2009 primitivo.
Avanços científicos ou tecnológicos não são requerimentos para que se atinja a paz mundial. Há duas alternativas possíveis para descrever nossos líderes políticos: simplesmente limitados ou simplesmente cruéis. Guerras são produtos de uma visão débil, por não enxergar soluções sem força bruta. O exemplo atual dos povos religiosos que entram em atrito representam um aglomerado de burros, pois nosso planeta é uma bola só. Somos humanos com culturas ricas e diversas, mas não é como a diferença entre um leão e um urso. Guerras assumem estupidez unida à crueldade.
Quando líderes assumem o palanque em defesa à beligerância, comprovam-se como indivíduos desprovidos de inteligência, ou ao menos assim julgam seus ouvintes. De nada adianta explicar raciocínio bélico a jornalistas, se a guerra é justamente o fim dos dizeres. Vá explicar a seus inimigos, vá convencer seus inimigos, aí sim que é validado seu discurso. Capacidades racionais medianas são suficientes na concepção de um sistema que organize soluções pacíficas. Debates entre representantes israelitas e palestinos já foram transmitidos em alguns canais, e retratam dois palhaços incapazes de perceber a característica primitiva adotada por seus governantes. Judaísmo e Islamismo são insignificantes ao lado dos termos: guerra e paz.
'Difícil' e 'fácil' estão numa categoria, enquanto que 'impossível' está em outra. Utopias não são objetivos impossíveis, mesmo que representem um grau de dificuldade máxima de serem atingidas. A civilização futura que abolir as guerras ridicularizará nossos valores, pois não atravessamos a barreira que separa um mundo em guerra do mundo em paz.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Comédia Eventual
Na gravação abaixo, há um conflito entre o propósito agendado (promover o livro escrito por Slash, guitarrista icônico) e a conversa sobre o jogo "Guitar Hero". Slash descreve um jogo viciante, e logo manifesta uma fixação no assunto 'jogo'. Alguns pontos geniais são os seguintes:
2min10seg> Conan faz sátira quanto ao esforço de Slash no desempenho do jogo, ao afirmar, "Você conseguirá, só dedique seu tempo e seja paciente."
Neste trecho, ele ironiza o talento do músico nas cordas, que já comprova domínio de aprendizado técnico.
Acima (após os instantes na numeração temporal) já no meio da discussão sobre "Guitar Hero", ocorre a primeira indicação de Conan quanto ao vício de Slash, que insiste em explicar e detalhar sua situação no desempenho do jogo.
2min35seg> Transição entre o último argumento de Slash, e o cumprimento de protocolo na entrevista, quando ele basicamente diz, "chega disso, estou aqui pois escrevi um livro".
Não coloco um dedo no fogo quanto ao seguinte: é espontâneo e não-planejado, e se algum especialista afirmar que toda naturalidade projetada aqui é algo fictício, espero uma aula sobre psicologia, comunicação, oratória, etc.
Caso contrário, é um exemplo raro que ridiculariza o capitalismo enquanto enaltece a graça humana.
*Abaixo está o link, e o sítio YouTube não permite inclusão direta da gravação, portanto copie e cole o URL abaixo.
http://br.youtube.com/watch?v=Fh7E8S7gQVI